A alquimia Divina se fez.
Foi transformado PRATA
em OURO.
E o cenário?
DIVINO tbm.



Vou estar aqui. Não sei quanto tempo, ou quando estarei. Quando estiver afim. Não tenho compromisso com meu blog, tenho comigo. Usarei ele para minhas viagens, que muitas vzs parecem sem fim. Usarei esse blog para me perder e me achar. Se vc quiser usar tbm, sem problemas. Enjoy!

Pílulas do Lito
ÚLTIMO ENTARDECER
Começou na sexta-feira. Um brother deu a dica por e-mail, a quem quisesse se interessar: “estou com o disco do Bacamarte e gravo cópias a pedido”. Depois de tanto tempo, como poderia deixar passar a oportunidade? Daí eu: opa, primeirão! E ele: você não, o teu já ta no carro aqui comigo. E eu: Ah, bom...
Até porque já fazia década, década e meia, de repente mais, que não o escutava. O tenho, em vinil, encaixotado, como encaixotados estão todos os meus vinis, há muito tempo, à espera do quarto dos sonhos, aquele quarto em que todos os brinquedos que colecionei e ainda coleciono ao longo da vida terão morada, local próprio e enfim: brincarei de novo com eles. O homem, sempre uma criança, só mudam os brinquedos.
Mas, sim, falava eu do Bacamarte, o som arte. Mais precisamente do disco “Depois do Fim”, lançado pelo grupo circa 1983, feliz época em que Fluminense-FM (A Maldita) dominava a mente da rapaziada, início da febre do Circo Voador na Lapa, onde aterrisara após estada rápida no Arpoador, momento em que surgia com muita força o chamado Brock. Enfim, manifestações culturais de uma geração que aprendia a viver em liberdade política, após a abertura (lenta, gradual e irrestrita) política iniciada em 1979.
Mas o Bacamarte era diferente de tudo o que se fazia. Era rock progressivo num ambiente dominado pelo rock and roll de bermudas. Guitarras e violões simplesmente geniais por Mário Neto, líder da banda, Genesis style. Sintetizadores moog, ao estilo Yes e Emerson, Lake and Palmer, conduzidos por Sérgo Vilarim. E a gente sempre esperava pela voz dela, Jane Duboc, linda, maviosa, tudo a ver com Renaissance.
E duas décadas e tanto depois, as letras. Apocalípticas, classicamente apocalípticas. Atuais, como sempre atuais. Passei o fim de semana a escutá-lo. E a relembrar muitos momentos daquela época, relembrar todas as músicas a partir do primeiro acorde, o ponto exato onde entra aquele solo de guitarra, aquela virada de bateria, o timbre da voz da Jane. Tudo era muito claro em minha mente, as lembranças vivas, foi ontem e eu nem percebi. Tudo passou num átimo de lampejo. Aquela foto do show no Circo Voador, imortalizada na contra-capa do disco, poderia ter sido batida por mim, que lá estava para testemunhar.
Mas uma coisa é certa: vivi muito de lá pra cá. O suficiente para ter certeza da pequenez da raça humana dominante, onde não há limite para o egoísmo, onde o cúmulo está distante, longe, muito longe, em local incerto e não sabido. Mas o amor resiste. E sobreviverá. E renascerá. Depois do Fim. Com vocês, Bacamarte, o som arte!
“O sangue brota no horizonte
A vida estanca na rua
As almas se trancam nos corpos
Que loucos se atiram à lua.
Crepúsculo envolve a Terra
O medo paira no ar
O mundo se envolve em trevas
Que podem nunca acabar.
Na noite repleta de trevas
Aos céus se eleva uma prece
Pedindo que a vida recomece
Num novo amanhecer.”
(Último entardecer – Mario Neto/Sergio Vilarim)
“Já se foram os quatro cavaleiros
Terminada a terrível missão
Olha o que restou sobre a Terra
Se é a Terra que olhamos agora
Agora compreendemos
Porque os que vivessem iriam chorar
Lamentando a triste sorte que o destino reservou
Se lembra das crianças que um dia vão nascer
Arranja uma pedra, nela temos que escrever
Palavras esquecidas com o tempo
Mensagem pro futuro
Passado pro presente.”
Depois do Fim – Mario Neto)